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Nociva para agricultura, cigarrinha-do-milho passa a ser monitorada pela Secretaria de Agricultura

A cigarrinha, de coloração branca-acinzentada é considerada um dos insetos mais nocivos para a agricultura. Apesar de pequena é de fácil visualização e se alimenta da seiva da planta do milho.

A disseminação nas lavouras ocorre, geralmente pela presença de plantas tigueras que favorecem a permanência da praga e também das lavouras mais velhas para mais novas, infectando mais áreas, além de condições climáticas favoráveis com temperaturas elevadas.

É durante o processo de alimentação da praga que ocorre a transmissão de patógenos (molicutes), causadores dos enfezamentos pálido e vermelho do milho e também de viroses.

Segundo a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), os molicutes transmitidos pela cigarrinha se distribuem nos feixes vasculares da planta, reduzindo sua nutrição e seu metabolismo. Por consequência, afetam o processo de translocação de fotoassimilados e promovem redução no tamanho das espigas e grãos.

Os sintomas mais comuns apontados pela Adapar são descoloração na margem das folhas, redução na altura da planta (encurtamento dos entrenós), como também no tamanho das espigas, com grãos chochos ou poucos grãos, avermelhamento nas folhas, formação reduzida de raízes, brotamento nas axilas das folhas, emissão de perfilhos na base das plantas e o secamento precoce e morte, podendo, portanto, resultar na perda total da produção.

De acordo com a secretária de Agricultura e Meio Ambiente de Pato Bragado, engenheira agrônoma, Jaqueline Vanelli, é possível antecipar o monitoramento, facilitando o manejo do inseto e realizando a dessecação antecipada, a fim de eliminar plantas hospedeiras, especialmente milho tiguera, pois pode preservar os molicutes.

Para tanto, ela orienta que é preciso evitar a sobreposição de milho, evitando que a praga migre de uma lavoura mais velha para uma com plântulas, nos estágios iniciais. “Também é importante a utilização de híbridos com maior tolerância ao enfezamento, entre outras medidas”, acrescenta.

Junto à Adapar, Sindicato de Produtores Rurais de Marechal Candido Rondon, Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) do Paraná e Copagril de Pato Bragado, por intermédio do engenheiro agrônomo, Douglas Sandrim de Brito, a Secretaria de Agricultura vem ao longo destes últimos 30 dias, acompanhando e monitorando a cigarrinha-do-milho em uma propriedade rural de Pato Bragado.

A secretária conta que no local foram semeados 20 híbridos de milho que são avaliados semanalmente. “Até o momento observamos que nas áreas próximas à lavoura com milho mais velho e próximo às gramíneas como o feno, ocorre uma infestação maior da praga”, anuncia.

Conforme Jaqueline, notou-se ainda que plantas mais vigorosas e sadias, que não sofreram ataques de outras pragas ou com um desenvolvimento atrasado, apresentaram um número maior de insetos alojados no interior do cartucho e das folhas. “Nesse sentido, recomendamos um monitoramento constante das lavouras, pois realizar o manejo necessário, no momento certo, pode garantir o sucesso da safra”, frisa.